sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O Reino dos Peixes.

"Os peixes (barriga chêia de moscas, junho profundo,
Passando o tempo na tarde molhada)
Meditam sabedorias, obscuras ou claras,
Cada esperança e medo secretos.

Os peixes dizem: eles têm seu Riacho e o seu Lago;
Mas haverá alguma coisa Além?
Essa vida não pode ser Tudo, juram,
Pois que desagradável se fosse!

Não se deve duvidar que, uma hora, o Bem
Nascerá da àgua e do Lodo;
E o olho reverente terá de ver
Um Propósito na Liqüescência.

Sabemos misteriosamente, com Fé dizemos,
O futuro não é o Seco Absoluto.
Do lodo ao lodo!- A Morte fecha o cerco-
Não é aqui o Fim, não é!

Mas em algum lugar, além do Tempo e do Espaço,
A água é mais molhada, o limo mais limoso!
E lá (confiavam) nadava Aquele,
Que nadou onde os rios surgiram,

Imenso, forma e mente peixais,
Escamoso, onipotente e bom;
E sob a Todo-Poderosa Escama,
Os menores peixinhos ficarão.

Oh! Jamais a mosca esconde o anzol,
Dizem os peixes, no Riacho Eterno,
Mas há lá ervas incríveis,
E lodo, celestialmente abundante;

Lagartas gordas flutuam,
E larvas paradisíacas;
Mariposas eternas, moscas imortais,
E o verme que nunca morre.

E naquele Céu tão desejado,
Dizem os peixes, terra não haverá.

(Rupert Brooke)"

sexta-feira, 11 de junho de 2010

terça-feira, 23 de março de 2010

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

As amarras do nacionalismo e do progesso.























"Progresso : a teoria de que você pode receber alguma coisa a troca de nada, a teoria de que você pode ganhar num terreno sem pagar pelo seu ganho num outro; a teoria de que só você compreende a significação da Historia; a teoria de que você sabe o que vai acontecer daqui a cinqüenta anos; a teoria que você pode prever todas as conseqüências das suas ações presentes, a teoria de que a utopia se encontra um passo a frente e, desde que os fins ideais justificam os mais abomináveis meios, é seu privilegio e seu dever roubar, defraudar, tortura, escravizar e assassinar todos os que, na sua opinião( que é, por definição infalível), obstruem a marcha avante rumo ao paraíso terrestre.
Depois houve o nacionalismo: a teoria de que o Estado do qual por acaso você é súdito é o único deus verdadeiro, e de que todos os outros Estados são deuses falsos; de que todos esses deuses, quer verdadeiros, quer falsos, tem a mentalidade de delinqüentes juvenis; e de que cada conflito por prestigio, poder ou dinheiro é uma cruzada pelo Bom, pelo Verdadeiro e pelo Belo."

E o que há de mais belo que um asno com uma cenoura amarrada a sua frente, fixada na própria cabeça e a um palmo dos olhos, a marchar e destruir todos os possíveis jardins em busca do seu ideal construído, como se a utopia se encontrasse uma pisada a frente? Enquanto isso, nossas mais belas idealizações de liberdade se esvaem em filas imensas de carros em baixo de um céu negro de monóxido de carbono. É a evolução, diriam eles. É o progresso !

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

" Este símbolo de um símbolo parecerá com certeza a ilustração de fulana..."





















A vida não parece ter um significado em si.
E o que são as coisas se não o valor intrínseco que damos a elas?
Isto eu entendo, só não consigo explicar a necessidade de um padrão comportamental e até mesmo estético compatível com a idéia do individuo no momento. Somos mutáveis, e isso é claro, a natureza é dinâmica.
Quase sempre me pergunto se toda essa mutabilidade precisa ser expressa no modo de se vestir, andar e falar. É como se de alguma forma tivéssemos que ser fieis na prática a concepção de mundo que temos, como um dogma, e se assim não for, estaríamos então comprovando que no fundo não pensamos daquele jeito.
Mas quem sabe melhor de nós se não nós mesmos?

Algumas coisas parecem inconcebíveis aos olhos da maioria, como uma desvio de comportamento as vezes taxado de loucura porque foge aos padrões costumeiros que alguns insistem em manter imutáveis. Vivemos, agimos e reagimos uns com os outros; mas sempre, e sob quaisquer circunstâncias, existimos a sós. Por sua própria natureza, cada pessoa, em sua prisão corpórea, esta condenada a sofrer e gozar em solidão. Sensações, sentimentos, concepções, fantasias - tudo isso são coisas privadas e, a não ser por meio de símbolos, e indiretamente, não podem ser transmitidas. Podemos acumular informações, mas nunca as próprias experiências. Da familia a nação, cada grupo humano é uma sociedade de universos insulares.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Meu adeus ao cigarro.

















Após dias sofrendo com a abstinência hoje me sinto bem, no começo até pensei que seria como das outras vezes que ao primeiro sinal de problema acenderia um cigarro.
Ao analisar a situação com frieza percebi que o momento do "nirvana" de fato não resolve problemas, muito pelo contrário, apenas os piora a longo prazo.

O texto abaixo resume bem a prisão do fumante :

"A farmacologia não conhece droga que cause tamanha dependência química.
A nicotina não vicia por causar sensações inacessíveis aos mortais que enfrentam o cotidiano de cara limpa. Inundar o cérebro com ela não faz você experimentar a alegria do álcool, a onipotência da cocaína, o relaxamento da maconha ou as visões do LSD. Não existe barato nem viagem. Você fuma apenas para aplacar as crises de abstinência que a própria droga provoca a cada trinta minutos.

O único prazer de quem fuma é sentir a paz de volta ao corpo suplicante, até que a próxima crise bata à porta para enlouquecê-lo. Parece invenção de Satanás."

Apesar de não acreditar em Satanás, tenho que concordar com a brilhante explanação do Drauzio Varella sobre o assunto.

Atravessei a tormenta, sinto o êxtase da libertação !